5/29/2008

Câmara Federal quer levantamentos sistemáticos sobre desmatamento na Mata Atlântica

Fonte: Ambiente Brasil - Brasília (DF)

 

Foi realizado ontem, na Câmara dos Deputados, debate sobre a conclusão dos levantamentos do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, desenvolvido em parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a organização não-governamental SOS Mata Atlântica.  A iniciativa do encontro foi do deputado Sarney Filho (PV/MA), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista.

 

De acordo com os dados divulgados pelo Atlas, mesmo com a confirmação da redução de 69% na taxa de desmatamento da Mata Atlântica, o Bioma está reduzido a 7,26% de sua área original – 1,3 milhões de Km2 em 17 estados brasileiros.  Os estudos apresentam também os mapas consolidados para os estados da Bahia, Minas Gerais, Alagoas, Pernambuco e Sergipe e a avaliação dos anos de 2005 a 2007 dos municípios mais críticos no período de 2000 a 2005.

 

Nesta última edição, o Atlas apresenta também o Índice de Preservação da Mata Atlântica (IPMA) - indicador criado pela SOS Mata Atlântica e o Inpe, com o ranking dos municípios que possuem a vegetação nativa da floresta.  Nas edições anteriores, esses dados eram divulgados somente por Estado.  Para o coordenador do Atlas pelo Inpe, Flavio Ponzoni, a cada edição, muitos avanços e estudos qualitativos são realizados, de forma a subsidiar as pesquisas e contribuir cada vez mais ao conhecimento do bioma.

 

Presente ao evento, o presidente da Câmara Federal, deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP), falou da importância de iniciativas voltadas às questões ambientais e que a Casa estará sempre atenta na luta contra o desflorestamento da Mata Atlântica.

 

“Os maiores problemas ambientais são justamente os desmatamentos e as queimadas, e nós precisamos combater tudo isso, precisamos dar a devida importância a esses temas”, disse.

 

Chinaglia anunciou ainda, em primeira mão, que gostaria de firmar um convênio entre a Câmara dos Deputados e o Inpe, para que a Casa pudesse receber, constantemente, informações referentes ao desmatamento.  “Eu, como médico por formação, diria que o objetivo dessa idéia é fazermos uma ‘tomografia’, um ‘exame laboratorial’ das áreas mais desmatadas, para que possamos exercer uma pressão sobre aqueles que mais contribuem para isso e também sobre aqueles que mais se omitem”, declarou.

 

O presidente da SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin, falou que o grande desafio é desenvolver mecanismos práticos para a preservação da floresta.  “Mesmo com a diminuição do desmatamento, é preciso ações mais emergenciais, caso contrário, não vamos conseguir mudar o quadro de desmatamento no país”, disse Klabin a AmbienteBrasil.

 

O diretor de Mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, falou com exclusividade a AmbienteBrasil sobre a importância da Lei da Mata Atlântica nesse processo de redução de desmatamento.  “Mesmo com o veto do artigo 29, a lei tem ajudado, pois foi constituída pela sociedade e regulamentada em cada Estado brasileiro, e isso possibilita a proteção da Mata por meios legais.  Antes da lei, há alguns anos atrás, perdíamos o equivalente a um campo de futebol a cada quatro minutos”.

 

Mantovani informou ainda que, para a entidade, um dos principais desafios para minimizar os impactos ambientais na Mata Atlântica é combater a degradação urbana, que compromete, e muito, a preservação da floresta.  Para tentar reverter isso, a Fundação está preparando, para os próximos meses, a “Plataforma Ambiental aos governos locais, candidatos a prefeitos e vereadores municipais, com vistas às Eleições Municipais de 2008”.

 

“O principal objetivo desse documento é informar aos cidadãos os candidatos que estarão comprometidos com as questões socioambientais”, antecipou.

 

“O importante é estarmos constantemente mobilizados em defesa desse patrimônio, que é talvez a maior diversidade do planeta.  Acreditamos que a competência, a inteligência, a lei e a cidadania são capazes de reverter quadros ainda degradantes para a conservação da Mata Atlântica”, avalia.

 

Fernanda Machado / AmbienteBrasil - Correspondente